Quando criança ou já adolescente, a gente acha que pode tudo na vida. Desde o sonho de ser astronauta a uma princesa-num-castelo-encantado. A verdade é que conseguimos inconsequentemente sonhar. Até que a gente cresce e os não’s começam a tirar nossa esperança de viver e nos intimida.

Hoje, nós adultos somos desiludidos. Emocionalmente covardes. Os sonhos — aquelas coisas que nos faz sentir o coração batendo mais forte — nunca estão em primeiro plano. Em primeiro plano está sempre a maldita segurança, o maldito sim-garantido. Crescemos e vivemos, na maioria das vezes, frustrados porém confortáveis dessa maneira. — Pode ser que minha vida assim não tenha muita graça, mas pelo menos estou seguro — normalmente é o que muitos de nós pensam, mas a única segurança que temos dessa maneira é de que teremos uma vida sem-graça [pra não dizer desgraçada]. Esquecemos que a vida é feita assim mesmo: de riscos. Que para viver, corre-se o risco de morrer. Temos medo de errar, de escolher errado, e cometemos o maior erro de todos que é não arriscar por aquilo que queremos escolher de verdade. O primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro emprego, tudo foi um grande risco. Podemos viver correndo o risco de “ter uma vidinha mais ou menos” ou, então, sonhar com o céu e correr o risco de conhecer as estrelas.

Vamos sorrir mais, mesmo com o risco de parecer um tolo. Vamos chorar mais, mesmo com o risco de parecer sentimental. Vamos conversar mais com as pessoas, mesmo correndo o risco de nos envolvermos. Vamos nos expor mais, correndo o risco de não sermos compreendidos. Pra amar, se corre o risco de não ser amado de volta; para viver corremos o risco de morrer. Vamos viver como nunca, correndo o risco de ser feliz.


* Publicado originalmente em Mais Café. Por Tihh Gonçalves ©