Tudo começou há uns 15 anos (em 2001). Considerando que ela nasceu há 1 ano (data do primeiro encontro que fizemos no Estação), no ano em que eu completaria 30 anos de idade, posso dizer que tudo começou pra mim há meia-vida atrás.

Há meia vida atrás

Um dos meus principais discursos nos últimos anos é de não tentarmos entender qual o propósito de nossas vidas, mas sim descobrir o seu significado. É mudar a perspectiva em que você olha pra sua própria existência. É trocar o “nasci pra fazer o quê?” por “quem sou eu?“. Com meus 15 anos de idade, no auge da minha adolescência, descobri que eu tinha uma certa inclinação à não aceitar que as coisas são como as pessoas dizem que são, simplesmente porque elas dizem que são. Deu pra entender? Foi onde, por exemplo, que ninguém me convenceu de que “usar brinco é coisa de mulher“. Hoje homem usar brinco pode até parecer algo natural, mas acredite quando eu falo que há 15 anos não era aceito como hoje. Enquanto escrevo esse texto, uso meu par de brincos que desde lá passou a me acompanhar.

Como um filho-de-pais-cristãos, na minha caminhada com Deus não seria diferente. Logo comecei a questionar muito sobre o que ouvia a respeito de Deus. Desde muito cedo eu já frequentava a igreja, então passei a vida inteira ouvindo sobre Deus e das coisas dele. Mas muitas das coisas que eu ouvia não fazia, de fato, sentindo pra mim. Não falo nem por uma questão de fé (de eu acreditar ou não), mas bíblica mesmo onde o que eu ouvia não batia com o que eu entendia do que eu lia. Não demorou muito e logo eu comecei a buscar esclarecimentos e acredite: eu nunca quis polemizar nada, mas simplesmente entender. Tudo começou numa tentativa de aprender e conseguir enxergar o que os pregadores enxergavam e eu não. Começou com assuntos básicos, como: música, tatuagem, roupas, alimentos e bebidas; e logo passou a assuntos mais complicados, como: dar dinheiro a igreja, congregação, entre outros assuntos. Chamei essa segunda leva de assuntos de “complicados” não por considerar os assuntos difíceis, mas pela dificuldade de conversar sobre eles, por serem considerados sagrados e por isso a discussão chega a ser um tabu. O que, pra mim, nunca fez sentido, pois são considerados “sagrados” porque alguém um dia disse que eram. Se alguém disse, podia muito bem ter se equivocado.

Na mesma época, tive uma experiência com Deus que mudou minha vida. Foi onde me vi, pela primeira vez, afirmado por Deus. Que meu jeito “errado de ser” (como eu lia nos olhares), era parte do significado da minha vida. Que eu não era como era por acaso, mas porque Deus me fez desse jeito. Entenda que não estou aqui justificando minhas falhas, mas sim características de minha personalidade. Não sei se você, querido leitor, entende o que eu quero dizer com “ser afirmado por Deus” e já teve uma experiência dessas, mas garanto a você que é tudo o que você precisa ter pra poder ser você mesmo de verdade e mesmo que uma multidão se levante contra, você permanece firme, pois sabe que Deus está com você.

Ali, Deus havia me apresentado parte de quem eu era. Por isso nunca quis saber “qual o propósito da minha vida“, pois ali Deus me disse qual o propósito dele em mim. Ali Deus me mostrou um pouco do meu significado. Dali em diante, por 15 anos (de 2011 à 2016), fui preparado para iniciar um trabalho. Repare bem que disse que “fui preparado” e não “me preparei”. Nesses anos, muitas vezes eu desejei me preparar, mas muitas outros não e nesses momentos eu normalmente decidia ir justamente para o caminho oposto. Hoje eu percebo que até ali, diante das más escolhas que fiz pra minha vida, Deus estava comigo. Nos momentos que eu achava estar mais distante dos caminhos de Deus, ele estava muito perto de mim. Lembra da história do bom pastor que abandona um rebanho inteiro pra ir salvar 1 única ovelha que havia se perdido? Eu vivi essa história. Mesmo quando eu não merecia, me senti amado. Mesmo quando eu descobri que não sou e nem nunca serei capaz de merecer, me senti mais amado ainda.

A Igreja Estação

Em 17 de junho de 2016 foi o dia em que tudo começou. Como não foi planejado por mim, ouso dizer que foi o dia que Deus escolheu pra tudo começar a acontecer. Inicialmente, era afiliado a igreja a qual eu, minha esposa e minhas 2 filhas congregávamos. Não sei ao certo porque Deus quis assim, mas nem me preocupo em entender. Lá, nos reuníamos às sextas, depois das 22h30 e nunca teve um horário certo pra terminar. Algo muito especial que vivemos desde o primeiro encontro até hoje, é de que Deus nos conduz a cada passo. Confesso que eu tenho muita dificuldade de lidar com isso pois sou o tipo de pessoa que gosta de planejar o futuro. Mas Deus não quis que fosse assim. Cada encontro, cada passo que damos, Deus tem conduzido. As pessoas que estão junto com a gente, o formato, o lugar, a visão, a linguagem, absolutamente em tudo, vejo Deus orientando nossos passos. E em dezembro do mesmo ano, fomos mais uma vez surpreendidos por Deus e desafiados a iniciar uma caminhada desfiliada a igreja que o projeto se iniciou.

Começamos, então, a nos reunir nas casas. Às vezes apertada, as vezes longe, as vezes com muito sol, outras vezes com muita chuva, mas sempre com muito prazer e alegria por estarmos juntos. É sempre muito especial. Eu amo aquela gente! Chamamos nossos encontros de NEXT (em inglês, “próximo”) com a proposta de não só estarmos semanalmente perto uns dos outros, mas dar um passo a mais e fazer de cada um que está perto, o nosso próximo. Há quem diga que não parecemos uma igreja, mas recebo isso com alegria, pois não queremos parecer uma. Vivemos o paradoxo de ser uma igreja pra quem não gosta de igreja e para pessoas de quem a igreja não gosta. Brincamos dizendo que só não são bem vindas pessoas perfeitas. Estou convencido que quanto mais igreja nós somos, menos igreja parecemos. Isso me lembra Jesus.

Primeiro NEXT [26/06/2016]

Entendemos que não somos igreja quando nos reunimos, mas principalmente fora das nossas reuniões. É de onde vem nosso nome “Estação”, como uma estação de trem. A bíblia nos conta que a vida com Deus é uma caminhada e o único caminho é Jesus. Isso diz respeito a integralidade das nossas vidas inserida no Reino Deus. Então, encaramos essa caminhada com Deus como uma viagem de trem e nossos encontros são as paradas nas estações, que é um lugar onde a gente descansa um pouco os pés, come alguma coisa, toca um violão, compartilha as experiências e principalmente faz amigos.

No último, sábado completamos 1 ano de vida.

NEXT da última semana [26/06/2017]

Gratidão

Louvo a Deus pela igreja a qual eu cresci e tive meu primeiro contato com o evangelho, também pela igreja a qual Deus escolheu especialmente para iniciarmos a Estação. São igrejas que encaram com seriedade a missão de estabelecer o Reino de Deus na terra. Tenho um carinho muito especial e me alegro de poder ter feito parte de um pouco da história de cada uma delas.

Agradeço imensamente a minha esposa e parceira Aline, por me suportar e sonhar junto comigo. Eu não estaria aqui sem você. Tihh amo.

Sou grato aos meus pais, por serem meus maiores exemplos de integridade e seriedade na vida com Deus. São meu referencial. Amo vocês!

Ao Stevan Richter, pela inspiração na minha caminhada de fé cristã desde minha adolescência.

Ao Cas (Chris A Schlögl) , Limão (Lennon Carvalho) e Joshua (Jean Sobrinho), pelas discussões, conselhos, confissões e amizade .

A cada pessoa que hoje caminha comigo no Estação. Que permitem que eu participe das suas vidas e por permitirem que eu divida uma parte de mim também com elas. Amo cada uma imensamente. Obrigado por construir e sonhar isso junto comigo também. Esse chamado também é de vocês!

Agradeço a Deus por tudo! Tudo o que vivi até aqui e por tudo o que ainda viverei. Sei que ele estará comigo indiferente da situação a qual eu me encontre. Obrigado por seu amor e sua graça, querido Jesus. Isso me constrange. Me transforma. Me basta!

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