Certa vez¹, era o primeiro dia da Festa dos Pães Sem Fermento, e os discípulos de Jesus pergunta a ele:

— Jesus, onde você quer que a gente prepare o jantar da Páscoa?

Jesus olha então pra dois dos seus discípulos e diz a eles o seguinte:

— Ei, vocês! Vão até a cidade. Lá vocês vão encontrar um homem com um pote de água na mão. Sigam esse cara e você verão que ele estará indo para uma casa. Batam nessa casa e peçam pra falar com o dono. Quando o dono vier até vocês, digam a ele o seguinte: “Jesus pediu pra nós perguntarmos a você, onde é que ele e seus discípulos vão jantar nessa noite de páscoas?”. Ele vai levar vocês até o andar de cima e vai mostrar um salão grande, todo mobiliado e já ajeitado pro nosso jantar. Preparem tudo por lá!

Essa história me fascina! Jesus estava falando com seus discípulos a respeito de outros discípulos-anônimos, ou seja, outros discípulos que esses discípulos-chegados-de-Jesus desconheciam. Era como se Jesus tivesse implantado várias células pela Palestina. Grupos autônomos, independentes, que não necessariamente se relacionavam entre sim. Uma rede se células subversivas espalhadas por todo os cantos.

A verdade é que as fronteiras do Reino de Deus estão muito além dos nossos pequenos círculos de amizade e relacionamento. Muito além das nossas panelinhas religiosas e guetos eclesiásticos. O Reino de Deus transbordou!E por isso Deus tem muita gente espalhada pelo mundo inteiro expressando o seu reino de diversas formas diferentes. Chegou o tempo em que precisamos entender que as fronteiras do Reino de Deus não estão nos limites dos nossos olhos e nem sujeitas aos nossos critérios. Deus é livre para tocar o coração das pessoas que também livremente respondem ao seu amor.

Minha oração é que, do mesmo jeito da história que comecei contando nesse artigo, Jesus possa olhar pra minha vida e dizer:

“Ali está o Tiago, um dos meus! Podem falar com ele, pois ele já preparou a sala. Tudo o que ele tem está a minha disposição. Podem ir lá, ele me conhece e eu o conheço também.”

Um discípulo de Jesus pode até mesmo ser anônimo, porque os olhos de Jesus bastam na sua vida.


No amor, Tihh Gonçalves ©


Referências

  1. Marcos 14.12–15