O título é, na verdade, uma brincadeira com a intensão de nos levar a reflexão de quem realmente somos. Exatamente! Quando ninguém está nos olhando – estamos sozinhos – deixamos nossas máscaras de lado e revelamos nosso verdadeiro eu. Não se engane, todos nós temos máscaras.

Por questões de antropologia social, nós – seres humanos – temos a tendência a busca de ser aceito socialmente. Em outras palavras, temos um desejo natural de viver como todo mundo vive, para assim, ser aceito socialmente. Ninguém gosta de ser o patinho-feio, não é mesmo? Gostamos de mostrar que somos interessantes e sermos reconhecidos como o tal. É onde começamos a colocar nossas máscaras e tentamos mostrar que somos quem talvez no fundo sabemos que não somos. Não seja ingênuo de achar que você é diferente nisso. Um exemplo bem fácil da gente entender é a moda. Logo a mocinha da novela das 8 começa a usar determinada roupa e todo mundo na rua começa a usar o mesmo tipo de roupa que ela. Logo você, que nunca havia pensado nisso antes, passa na frente de uma loja, vê a roupa no manequim e pensa “Nossa, que linda!. Saiba que se não fosse a tendência da moda – ou seja: você começar a ver todo mundo usando roupa daquele determinado estilo – você não acharia ela tão linda assim. Isso vale para os homens também.

Meu desejo é de ajudar você a enxergar seu verdadeiro eu e que você possa investir mais nele.

Na igreja

Do mesmo modo a gente se comporta na igreja. Aliás, a igreja tem sido um dos lugares onde mais as pessoas mostram ser de um jeito e que fora dela mostram que na verdade são completamente diferentes. Se preocupam mais em “parecer cristão” ao invés de ser.

Jesus, combateu essa hipocrisia. Combateu a religiosidade dos judeus (principalmente os do partido farisaico).

Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados.
[Mateus 23.27-28 – NTLH]

A verdade é que pra Deus não importa quem nós parecemos ser, só importa quem nós somos. Deus, conhece a nossa essência como ser e é só isso que de fato importa. Poderia dizer que é só isso que Deus vê! Aliás, sabe esse eu-alguém que você pensou quando eu perguntei “Quem é você quando ninguém está vendo?“, sinto lhe informar que você não estava sozinho lá. Afinal, nós sabemos da onipresença de Deus – ou seja, Deus está em todo lugar – então ele está lá nessas horas também, em que você revela seu verdadeiro-eu. É onde a intensão de “parecer cristão“, não faz sentido algum. Não pra Deus.

Mas a história é sempre aquela: o sujeito começa a ir na igreja, dai na porta já recebe um “bem vindo” super simpático, enquanto procura um lugar pra sentar vai ouvindo o irmão que faz a a abertura do culto perguntando ao povo “Você teve uma boa semana, igreja?” e o povo respondendo que sim; dando glória a Deus; uns até levantam a mão pra cima (você nem sabe porque ele levantou a mão, mas reparou que ele levantou). Enquanto arruma suas coisas na cadeira, o louvor começa. É a coisa mais linda, todo mundo adorando a Deus com os olhos fechados, cantando bem forte, com as mãos levantadas (de novo ele não faz ideia porque levantam a mão, mas só repara), todos entoando altos louvores, adorando a Deus, com um baita sorrido no rosto (alguns até em lágrimas, mas mesmo assim com o sorriso no rosto), casais cantando de mãos dadas, os filhos dançando super comportados. Aí vem a pregação. Todo mundo com sua bíblia na mão pra ler junto com o pastor (mesmo que cada um tem uma linguagem diferente), e o pastor mandando vê, dizendo altas promessas que Deus tem pro seu povo. Ai você olha tudo isso e nota que você é bem diferente deles. E quando percebe, ta querendo parecer um deles. Quando chega o final do culto e alguém se aproxima de você, já o cumprimenta “Paz, irmão!“, afinal é assim que crente cumprimenta, não? Quando vê, você já não é mais nem você.

Mas ainda assim, você se conforma com o discurso de quem “com Deus nós temos que nascer de novo”. Ah, quem chame essa mudança-de-comportamento de “nova criatura”, mas não é não. Não é porque tudo isso é muito superficial (no sentido mais literal da palavra). Por isso é tão comum a gente ouvir comentários do tipo: “aquele político era tão íntegro“, e agora é pego roubando; “aquele pai era tão presente“, e agora descobrem que ele tinha outra família; “ele era um filho tão querido e respeitoso aos seus pais“, e agora é um jovem rebelde e xinga os próprios pais.

Mente de filho

Falando em filho, lembrei da história do “Filho Pródigo” (leia Lucas 15.11-32). Um pai, tinha 2 filhos. O mais novo, um dia chega ao pai e diz “pai, não quero mais servir ao senhor. Quero minha parte da herança e ir embora“. Vamos lembrar que não existia herança ali, pois o pai ainda não havia morrido. Mas fica nítido que o filho estava sendo um bom filho (trabalhando, ajudando o pai) esperando a sua morte, pois estava com os olhos na herança que o pai lhe deixaria. No desenrolar da história, o pai lhe dá o metade de todo o dinheiro que tinha, ele cai-na-vida e quebra-a-caraSem opção, arrependido (pois acabou com a própria vida), decide voltar pra casa e implorar pro pai aceitá-lo como empregado, pois ainda sim teria uma vida mais digna a que estava levando fora de casa. Quando ele se aproxima de casa, o pai está no portão lhe esperando. Imagino que ele pensou “Agora vou levar aquela coça.. e bem merecida, ainda“, mas pra sua surpresa, o pai lhe abraçou, cuidou dele e mandou prepararem uma grande festa ao seu filho. Quando o irmão mais velho que estava no campo trabalhando ouve aquele alvoroço na casa, pergunta a um empregado o que estava acontecendo. Quando soube que era seu irmão-traidor que havia voltado e o pai lhe perdoou assim, sem mais nem menos, ficou revoltado e foi se trancar no seu quarto. O pai então vai ao quarto também falar com ele e o seu primogênito desabafa: “Pai, meu irmão te traiu e quando volta pra casa o senhor ainda o perdoa assim? E manda fazer uma festa pra ele? Eu sempre fui fiel ao senhor… sempre trabalhei dedicado no campo pro senhor.. e o senhor nunca fez uma festa pra mim“. O pai, cheio de amor, lhe respondeu “Filho, tudo o que é meu é seu. Seu irmão estava morto e voltou pra casa, voltou a viver“.

Com essa parábola Jesus nos ensina que tem como olhar de 2 maneiras pro reino de Deus. Como filho e como empregado. O empregado é aquele que precisa trabalhar pra merecer seu sustento. Se ele não for um bom funcionário, não recebe seu salário no final do mês e pode até perder seu emprego. O filho, por outro lado, não precisa fazer nada. Ele simplesmente é filho. Nessas horas há quem pergunte “Ah, mas então se sou filho e não preciso fazer nada, vou ficar deitado o dia inteiro vendo TV“. Se você tem esse pensamento, sinto lhe informar, mas você pode até ser filho, mas seu coração e sua mente ainda são de empregado. Ao contrário do empregado que trabalha pra garantir seu sustento, o filho trabalha porque é seu. O filho não trabalha pra ganhar nada, ele trabalha porque já é dele. E quando você tem alguma coisa e trabalha pra cuidar dessa coisa, você tem compromisso. Um empregado (trazendo pro nosso contexto), deu 18hrs ele bate o cartão e vai embora, não quer nem saber se os clientes vão reclamar que o relatório não foi entregue há tempo. O empregado até fica depois, mas antes se certifica com o RH que vão lhe pagar as horas extras. O filho, ou melhor dizendo: o dono, ele não se importa em virar noite, sem ganhar 1 centavo a mais para garantir o crescimento da empresa e para que ela honre seus compromissos com seus clientes. Empregado, quando o chefe está fora, relaxa e diminui o ritmo. O filho do dono, quando o dono sai, ele assume o lugar do pai garantindo que tudo saia conforme deve acontecer.

“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” [João 1:12 – NVI]

Ta aí um bom meio de medirmos quem somos na essência. Sabemos que somos filhos de Deus, mas quando estamos sozinhos, nos comportamos como empregados ou filhos?

Que a gente possa ser mais nosso verdadeiro-eu e menos o que agrada as pessoas. Que sozinhos sejamos os mesmos que em público. Acima de tudo, um filho de Deus, que se comporta como tal.

No amor, Tihh Gonçalves ©


Esse artigo é um rascunho de uma pregação que ministrei dia 18 de março de 2017, num NEXT (culto) da igreja Estação.