Uma questão, de certa forma, simples. Algo em comum que determinado grupo de pessoas têm, que gera neles uma unidade. CO-MU-NI-DA-DE. Ou: COMUM + UNIDADE. Algo assim. Trazendo pro contexto cristão, existe uma só igreja: a de Cristo. Então todo cristão se entende como “da mesma igreja”. Porém essa igreja-corpo-de-Cristo se expressa de diversas maneiras através de diversas comunidades. É quase como sermos da mesma família mas não moramos todos na mesma casa. Os da mesma casa, se aguentam, se suportam e decidem viver juntos apesar dos defeitos e diferenças. Numa hora um vê novela, outrora alguém vê futebol. Ou decidem comprar juntos um segundo aparelho de TV.

Mas acho que ninguém fica achando que mora “na melhor casa do mundo“, né? E nem fica xingando o outro porque “é de outra casa“. Nem vive como se estivesse torcendo pra que a casa dele desande só pra depois dizer “Viu.. bem feito! Quem manda não morar com a gente“. Mas por que nas comunidades-igrejas muitas vezes é assim? Por que existem cristãos que acham que sua igreja é a melhor ou a única que presta? Por que nos enxergamos tanto como concorrentes ao invés de vizinhos?

Cada casa tem seus problemas. Reforço: têm problemas. De todos os tipos e um mais cabeludo que o outro. Faz parte da dinâmica da convivência e isso é bacana. É normal, natural. Como igreja não é diferente. Não consigo entender essa necessidade de ter que “se preocupar com a igreja do outro”. Por que não nos preocupamos mais com a nossa? Com as pessoas da nossa que precisam de nós? Apostaria um rim que na igreja dessas pessoas tem muita gente que adoraria que se preocupassem com elas. Falo isso com certa propriedade, porque nos últimos meses, tenho escutado vários amigos de anos-de-igreja, dizendo “nunca perguntaram como está meu coração com isso“, “nunca perguntaram como eu estou“. Igrejas não deveriam ser concorrentes, mas sim parceiras. Como famílias vizinhas que a gente pede uma xícara de açúcar vez ou outra e divide o resto bolo de uma festa.

Cada igreja que temos hoje é uma expressão singular da igreja a qual Cristo é o cabeça (falo das que têm compromisso com “o cabeça”). Seu compromisso, então, é com o corpo e não ficar fiscalizando a igreja do vizinho. Fiscalize a sua! Se pré-ocupe com os seus. Pelas demais, ore por elas, abençoe elas. Torça pra que cada vez mais as pessoas de lá se aproximem ainda mais de Cristo e tenham suas vidas transformadas. Se ela for maior que a sua igreja? Glória a Deus por isso! Se for mais descolada que a sua? Glória a Deus por isso! Mais tradicional? Glória a Deus por isso! Uma vez assisti um filme (esqueci o nome) com uma mulher que adorava ficar ouvindo a briga do casal do apartamento ao lado com um copo na parede. Por fim, quando se deu conta, seu casamento tinha desmoronado e seu marido foi embora e ela não tinha mais o que ela fazer. Sabe por que ela não percebeu seu casamento indo por água abaixo antes? Porque estava ocupada com o problema do vizinho.

E aí? Tem uma xícara de açúcar? Depois eu trago um pedaço de bolo!

Até!


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