Certa vez uma igreja da cidade estava vivendo um momento especial. Desde seu fundamento o número de fiéis era pouco, mas nos últimos 12 meses as coisas começaram a mudar. Era nítido que a mão abençoadora de Deus foi estendida sobre eles. A prosperidade da igreja começou a incendiar os membros dessa igreja e logo começou a influenciar os de fora, inclusive cristãos de outras igrejas, que queriam sentir e viver tudo isso também. Logo ampliaram o templo e tudo mais que puderam investir para melhorar o sistema deles. Seus cultos estavam cada vez mais fervorosos e cada vez mais visitantes apareciam. Nos finais dos cultos já era comum ouvir comentários como “Hoje o culto foi uma benção! O pastor estava com o manto! A equipe de louvor com sua adoração chamou a presença do Espírito Santo e Ele ficou a vontade entre nós”. Era só benção!

O pastor, então, sensível a tudo o que estava acontecendo, resolveu fazer uma campanha vigorosa em busca de um grande avivamento em sua igreja. Propôs uma vigília em especial, disse que o Espírito Santo havia lhe dito que Deus faria algo especial nesta vigília. Chegando o tal dia tão esperado, em meio grandes manifestações do Espírito Santo, puderam ver literalmente Jesus ali presente. Foi algo extraordinário, que certamente levaria a igreja a um nível que antes nunca haviam percorrido e desconhecido por sua caminhada espiritual. Então, a autoridade espiritual maior entre os homens, o pastor, falou a Jesus:

– Mestre! Como é bom tê-lo aqui conosco. Estamos aqui especialmente para saber como podemos alcançar um verdadeiro avivamento em nossa igreja?

Jesus, muito amável, lhes respondeu:

– É só obedecer meus mandamentos. Alias vocês já os conhecem bem, inclusive aquele que tem contém todos de uma só vez que é: “..amem ao próximo como a si mesmo”.

– Há, querido Jesus. Mas isso nós já fazemos! Desde que nossa igreja foi fundada cumprimos fielmente a tudo o que tu nos deixaste pra cumprir. Sempre fomos muito fieis! Inclusive, como o senhor já deve saber, estamos vivendo um tempo de colheita em nossa igreja e sabemos que isso é Deus honrando nossa fidelidade. Já somos, hoje, uma igreja de referência e queremos ir ainda mais alto. Estamos aqui clamando pra que Deus nos leve a um avivamento nunca antes visto.

O Mestre então lhes respondeu de maneira incisiva:

– Já cumprem? Que maravilha! Mas falta-lhes uma última coisa ainda.

– Diga querido Mestre! Nós já renunciamos a nós mesmos para viver para Ti. Diga-nos o que precisamos fazer para encontrarmos o teu verdadeiro avivamento.

Jesus, cheio de amor, lhes disse:

– Queridos irmãos. Vendam tudo o que vocês têm! O templo, o estacionamento, o terreno da igreja, a chácara, todo o equipamento de som e de iluminação, os instrumentos musicais, enfim, tudo o que foi construído e adquirido por todos esses anos. Vendam tudo isso e todo o dinheiro que arrecadarem deem aos pobres.

Nesse instante um grande tumulto se formou. Todos estavam perplexos com o que Jesus havia dito. De modo geral as maiores perguntas eram:

– Mas e nossos ministérios? E a unidade do corpo? E os cultos? E as escolas dominicais? E a liderança, os pastores e as hierarquias da igreja? E como ficará a autoridade espiritual? Se nós vendermos tudo, tudo isso deixará de existir! E se não houver mais templo e nossa estrutura for desfeita, tudo o que construímos irá desmoronar. As pessoas não seguirão mais a Jesus e certamente deixaram de cumprir os mandamentos.

Com um sorriso carinhoso e convidativo, Jesus lhes respondeu:

– Gente, eu creio que vocês estão começando a entender. Vendam tudo, deem aos pobres, e me sigam de mãos vazias, assim como vocês já leram na bíblia de vocês que fizeram os meus discípulos.

Nesse instante toda a igreja que estava ali ficou abatida. Afastaram-se tristes de Jesus, porque tinham muitas riquezas. Nunca mais oraram ou fizeram uma campanha buscando um avivamento. Mas os cultos continuaram e gostavam de pregar principalmente textos do Velho Testamento. Era uma benção-só.


Está é uma paráfrase de Tihh Gonçalves para história de Marcos 10:17–22, inspirada em uma história lida no livro Igreja Entre Aspas, de Tuco Egg.