Prezado 2016,

Antes de tudo, gostaria que soubesse que te escrevo com muito respeito e admiração. Mais respeito do que admiração, é verdade. Afinal, foi um ano onde não nos entendemos muito bem e não houve nenhuma intimidade entre a gente.

Mas acho que se eu sair por aí dizendo que “foi um péssimo ano”, seria exagero da minha parte. Sim, sim.. foi um ano horrível financeiramente pra mim, e esse azedume respinga em todas as outras áreas da vida — é verdade! -, mas a vida também não é só feita de dinheiro e generalizar seria um exagero injusto com os momentos e acontecimentos bons que vivi esse ano.

Bom, não quero perder o foco da minha carta. Eu tinha planos pra nós! Logo após a queima de fogos de 2015, na beira-mar de Balneário Camboriú, eu abri meu coração pra você e praticamente me declarei. Abri minha intimidade e contei meus sonhos para 2016 e parece que você nem se quer me deu ouvidos ou nem ligou pros meus sentimentos. Às vezes parece que fez justamente tudo ao contrário só pra me contrariar. É o que parece.

Sim, vivemos muitas coisas boas também. E pra ser sincero — aqui entre a gente — acho que toda essa “fase difícil com o dinheiro” me fez olhar pras coisas de sempre com outros olhos. De certa forma, na falta de grana pra fazer as coisas, comecei a valorizar mais as coisas que são de graça e sempre tive comigo. Família, amigos, pessoas. Ou uma pessoa que você descobre ser um grande amigo e quando vê, já é como um membro da família. Algo assim. Coisas que o dinheiro não compra.

Tá, mas então. Está chegando perto da gente se despedir e eu não queria que nós terminássemos assim, desse jeito. Pra ser sincero, eu queria te agradecer — isso mesmo! — por me ensinar que nem tudo o que nós desejamos pras nossas vidas é de fato tudo o que precisamos. Por me ensinar que tudo o que eu preciso sempre esteve comigo. Avisa aí pra 2017 que eu nem vou pedir nada pra ele além de manter minha família e meus amigos perto de mim, com saúde e muita, mas muita paz e amor!12