Vai que justo hoje o mundo desabe. Sei lá, que bem hoje viveremos um dramático final de um filme apocalíptico. Já pensou? O que você faria? O que lamentaria? Se arrependeria mais de ter-feito-coisas-que-não-precisava ou de não-ter-feitos-coisas-que-precisava? Vai que é hoje. Vai que hoje…

Corre! Recolhe as roupas do varal. Tira a comida do fogo. Aproveita e já vai no salão pra ficar bonita. Faz cabelo. Unha. Não esquece o make. E o mais importante: compre um chapéu. Um grande, pra esconder, ou melhor: se esconder. Pra não estragar a escova. Não, maior. Essa make da Avon borra fácil. Ah, droga! Só porque que eu lavei o carro hoje cedo. Droga! Droga! Carro usa chapéu? Pra não estragar a pintura do carro. Quero um chapéu maior.

Hoje eu quero dançar! Quero cantar! “É preciso amaa..aarrrrrr as pessoa como se não houvesse amanhãaaa”. Vamos rir! Vamos chorar! Vamos beber. Ficar são. É momento de dizer tudo o que precisa ser dito. Desembuchar! Despir o coração. O momento certo de calar a boca. Ouvir. Abraçar.

Vai que hoje esse mundo desabe nas nossas cabeças. Não sei, mas talvez seja bem hoje. Eu quero amar mais. Voar mais. Pedir mais perdão do que justificar que não tive culpa. Ser mais inconsequente e viver a consequência de ser feliz. E acima de tudo, quero hoje sorrir mais, mesmo que não tiver tanto motivo assim, afinal, vai que justo hoje… eu sou feliz [antes que esse mundo desabe].


* Este texto foi originalmente publicado em Mais Café.